sábado, 18 de novembro de 2017

Filosofia na Alcova- Satyros Cinema




                                 


Luiz Pinheiro


            Fui assistir à pré-estréia do filme Filosofia na Alcova, do grupo Os Satyros. Sexta chuvosa, com platéia lotada. Acompanho o trabalho do grupo desde quando a praça Roosevelt ainda não era o polo cultural que se tornou, graças a Ivam e Rodolfo e a outros artistas que sempre lutaram pelos seus ideais , contra o preconceito, acreditando em sua arte.
     
      Incrível como o  trabalho do Satyros vai se tornando história. Antes apenas no teatro, passando pela TV e agora no cinema. Se a primeira incursão do grupo no cinema, com "Hipóteses para o amor e a verdade" já havia me impressionado, "Filosofia na alcova" me ganhou definitivamente. É nítida a evolução em termos de linguagem cinematográfica de um trabalho para o outro. Se em Hipóteses há uma promessa, aponta-se um caminho,  em "Filosofia" o cinema desabrocha. Se no primeiro trabalho as linguagens ainda se mesclam e se mostram fragmentadas, no segundo tudo se integra, a trilha sonora, o texto e a imagem, formando um todo coeso e consistente, com uma estética inovadora.  Isso nos leva a crer que os diretores  percorrerão no cinema o mesmo  trajeto que já fizeram no teatro, aprimorando-se a cada trabalho.
       Conheço pouco a obra do Marquês de Sade, mas me deu vontade de explorá-la, a partir dessa experiência cinematográfica.
     
      Após a projeção muitos ficaram para uma conversa com os diretores e atores. Deu para perceber a complexidade do tema abordado, pela dificuldade de as pessoas expressarem suas impressões sobre o filme, como se faltassem palavras para traduzir o impacto sentido durante a sessão. Havia muito a se dizer, mas muito mais a digerir. Creio que isso se deve porque a obra de arte é aberta, nos incita a exercitar a reflexão e se coloca para ser explorada sob vários aspectos.
     
      A discussão tentou abordar a questão da repressão, da crítica ao moralismo cristão, sob o ponto de vista filosófico ou político, fazendo uma ponte entre a época em que "Filosofia na Alcova" foi escrita e a atual . Falou-se sobre o que se entendia por libertinagem, chegando até a compará-la à liberdade.
     
      Pensei sob o ponto de vista psicanalítico. O termo Sadismo foi criado a partir a obra de Sade, e quer dizer o ato de provocar e ter prazer através da dor, do controle, da submissão do outro , externando impulsos destrutivos, proveniente de pulsões de morte.
     
      Ao se voltar contra a moral cristã, o autor expõe sua própria moral às avessas, num embate de forças contrárias, mas que devido ao radicalismo acaba expondo sua fragilidade e igualando o crítico ao que critica. Evoca-me a situação atual do país onde é quase impossível a convivência de pensamentos opostos . Para que um exista é preciso aniquilar o outro. Expõe-se assim o ódio que vem da intolerância e se desemboca no fundamentalismo. E onde o ódio impera, o amor se degenera. Há uma fala durante o filme que diz que o prazer só tende a aumentar com a diminuição do amor. Pois onde não há amor, não há erotismo e sim pornografia. Mas também não é tão simples assim, porque a pornografia é destituída de qualquer sentido, de ideal. Já em Sade ela está a serviço de algo "maior", querendo criar uma aura de heroísmo aos libertinos, que lutam contra uma sociedade hipócrita e repressora. Mas pecam por se mostrarem tão repressores e agressores quanto essa sociedade, na medida em que tentam eliminar aquilo com o qual não concordam e submeter o outro à sua "religião".
     
      Alguém disse que os libertinos não matam. Questionei-me sobre isso, pois no filme eles não atuam seus impulsos assassinos diretamente, mas levam o outro a atuarem por eles. É como o caso de suicídas que não sujam as mãos, mas levam o parceiro a executarem-no .
     
      Poderíamos , no caso , pensar que os libertinos  apenas estariam testando a personagem Eugenie, para ver se ela é uma autêntica libertina ou apenas aquela que "se entrega demais às paixões", quando a incitam ao crime. Mas seria raso pensar apenas por esse vértice. Havia ali uma intenção assassina, explicitada em algumas falas.  Aliás pouco se falou de morte, nos comentários, apenas se passando perto ao estranhar a melancolia e apatia que se instaura após a excitação. 

      Vi muita morte o tempo todo, na medida em que nas relações que ali se estabelecem não há nenhum vínculo amoroso, apenas ódio e destruição. Acho que é esse aspecto que se ressalta no conceito de Sadismo e é o que se manifesta em muitas ideologias e religiões fundamentalistas que em nome do amor e da humanidade se cometem barbaridades.
     
      A personagem Eugenie, ainda sem uma personalidade consolidada, é presa fácil de um mundo onde a sensualidade se mostra como alternativa a uma vivência de vazio, de falta de representação, que a faz se sentir viva na excitação. Ela não é uma libertina verdadeira.
     
      Muito se fala nos efeitos malignos da repressão, mas toda a sociedade se instaura a partir dela, e sem ela seria extinta. A questão está na dose. Excesso de repressão é morte, assim como excesso de prazer também. Há uma dialética entre pulsões de morte e vida, uma não existindo sem a outra. Uma negando e afirmando dialeticamente a outra. Assim como céu e inferno, esquerda e direita, consciente e inconsciente. Nenhuma é o mal em si, mas a convivência e a integração é o que se deveria tentar atingir, para que o mal não se instaure.
     
      São tantas as possibilidades de abordagem que talvez seja isso o que torna a obra de Sade tão complexa, provocadora e inquietante. Ela vai fundo nos sentimentos humanos, tão maravilhosos e infernais,   paradoxais em sua essência.

domingo, 30 de outubro de 2016

domingo, 8 de novembro de 2015

Amigos, estou lançando o Videoclipe oficial de meu CD 3,1415... Novembro de 2015


                                                           

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Novo site




Amigos, dêem uma olhada no meu site. Nele vocês poderão ouvir as músicas de meus CDs, ver fotos, matérias e notícias. Divirtam-se!

www.luizpi.com.br www.luizpi.com.br

domingo, 21 de setembro de 2014

Eis a noite

Luiz Pinheiro



                                                     

                                                     imagem:reprodução             



Eis a noite
Com seus anjos, banjos, arcanjos e marmanjos
Bares, becos, bagos, Bacos e tabacos
Ovelhas negras, guardadores de rebanho

Eis a noite
Com sua lua, lobos, caças e calçadas
Má conselheira, com seus dados e dardos
Magos, guetos, gatos e gatas borralheiras

Eis a noite
Com suas manhas, sanhas e papos de aranha
Luzes, sombras, senhas, sonhos que assanham
Homens e mulheres insones regateiam




quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lançamento do CD 3.1415...


                                                               





Luiz Pinheiro lança CD 3,1415... , com participações de Jorge Mautner, Lirinha e Ivam Cabral.


Após três anos do último lançamento (Decompor), Luiz Pinheiro volta à cena musical com o CD 3,1415..., que traz no nome a referência a seu apelido nos tempos de colégio, o símbolo matemático da letra grega Pi, aqui poeticamente expressado em sentimentos que se relacionam com o inexato, aproximado, infinito, irracional, transcendente.
Partindo de elementos acústicos e eletrônicos, os arranjos de Valter Gomes e Luiz para o novo disco conferem às composições uma harmonia contemporânea, valorizando o alto teor poético das letras.

" Neste trabalho, além da preocupação com a letra e a melodia, juntamente com Valter, mergulhei mais nos arranjos, procurando novas sonoridades, a partir de inserções eletrônicas e introdução de novas técnicas para execução dos instrumentos. Embora haja uma variedade de ritmos, como dance, maracatu, baião, samba e rock, a poesia, os elementos eletrônicos e a guitarra do Valter Gomes, diretor musical, conferem unidade ao CD."

Em 3,1415... Luiz trafega com versatilidade e fluência por  temas  amorosos, filosóficos e sociais, que se juntam ao caldeirão de ritmos musicais, escolhidos e incorporados de maneira a tornar o disco uma obra envolvente, nova, rica e que rompe com padrões estéticos e foge dos clichês.

As canções

Na canção “Nômades Urbanos”, o compositor retrata um tipo de morador de rua que não se adapta a nenhuma instituição e que não se estabelece em nenhum lugar, ao contrário de outros nômades, que vivem em determinados pontos e depois migram. Denominados “trecheiros”, sua moradia é entre os lugares, como diz a letra:

"Sou um nômade urbano/nesta cidade insensata/de manhã estou na Penha/ à tarde estou na Lapa/Sou visto na Paulista/ na Gurgel ou na São João/ sob o sol a céu aberto/ ou à sombra do minhocão."

Esses moradores fazem do espaço público o privado e têm verdadeiro horror aos albergues, com suas regras e tratamento impessoal:

"Nunca faço diferença entre o público e o privado. /Você coloca limites, eu rompo o alambrado."

Luiz lança mão da palavra inclusão e a questiona:

" Não tente me enquadrar/num projeto de inclusão/ saiba que me excluir/ é minha revolução..."

Jorge Mautner participa dessa faixa, tocando violino e declamando. Quando ouviu a música, disse:

" Sua canção, tanto na letra quanto na melodia e na sua interpretação retratam com força e novidade toda uma saga e denúncia social. Gostei muito".

No funk "O Artista", Luiz rompe com o clichê de que funk é música ruim. Ele diz que o problema não é o ritmo, mas o que se faz com ele:

"Pode-se fazer um trabalho de qualidade utilizando qualquer um deles."

Nesta faixa, conta com a participação de Ivam Cabral, do grupo Satyros.

"Achei que era a pessoa certa para participar dessa canção, pois Ivam é o multi-artista, que também rompe com os padrões. A letra foi dedicada a ele:
"O artista/ não despista/ não se acovarda/nem se acanalha./mete a cara/expõe a tara/mata a cobra/ e mostra a vara."

Em “Traficante”, o compositor resgata expressões que se usa no universo das drogas, para falar da arte, como que a propor uma alternativa para as vítimas do vício. Diz a letra:

"Nunca é cedo/nunca é tarde/é excitante e não tem fim/sou traficante da minha arte/quero você viciado em mim."

Com uma pegada mais pop e que a torna mais audível por parte do grande público, a canção de trabalho de 3,1415...é a música "Brejo". A desilusão de um amor corrói o coração do personagem principal, mas este, ao invés de apenas se lamentar, trata-a com certa dose de humor, principalmente com o uso de expressões populares como "chutei o balde" e "sou touro triste vendo a vaca ir pro Brejo".

Ficha técnica

Além de Jorge Mautner, o novo disco conta também com a participação de Vanessa Bumagny e Nô Stopa, na faixa "Bois do Recife", em que Lirinha declama um poema de sua autoria. Pinheiro é acompanhado pela banda Nômades Urbanos, composta por Valter Gomes ( violão e guitarra), Sandro Prêmmero ( viola ) e Luciano Nogara ( bateria e programação eletrônica)

Histórico da carreira

Com este novo trabalho, Luiz Pinheiro chega à terceira obra de sua carreira. Compositor, poeta e psicanalista, nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, e vivendo a maior parte de sua vida em São Paulo, cidade que adotou, o músico lançou em 2005 o disco "Cássia Secreta", onde interpreta músicas de sua autoria e de Hermelino Neder, cantadas pela saudosa Cássia Eller, muitas delas totalmente desconhecidas do grande público, e em 2011, o seu primeiro trabalho solo chamado "Decompor". Uma de suas canções eternizadas na voz de Cássia é a música "O Marginal" , que deu nome ao segundo CD da cantora.
Luiz também foi gravado por Vânia Bastos, no seu primeiro LP, e por Arrigo Barnabé, tendo sua canção dado nome ao CD do cantor: "Façanhas".
Em 2014, sua canção "Segundo Sexo", em parceria com Vanessa Bumagny, dá nome ao terceiro album da cantora, com participação de Zeca Baleiro.


Amigo de alguns integrantes da turma de compositores da Vanguarda Paulista, Luiz acompanhou do camarote e do palco do teatro Lira Paulistana, a inquietude de um grupo de jovens universitários. Preferiu seguir um caminho de criação independente e propôs a si o desafio de um aprimoramento constante pela busca de uma composição que rompa a “possível linha que separa letra de poesia”. Em muitas de suas canções, as letras sobrevivem sem a melodia, como poemas a serem lidos. Por isso ele denomina seu trabalho como MPB (Música Poética Brasileira).

EMFOCO

assessoria em
comunicação




    

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Vanessa Bumagny - O Segundo Sexo





Luiz Pinheiro





Confesso que sou chato. Gosto de muito pouca coisa. E dentre essas poucas se destacam as composições de uma cantora pela qual tenho a maior admiração, respeito e carinho: Vanessa Bumagny.

A primeira vez que a ouvi, foi cantando uma canção minha em parceria com Hermelino Neder, enviada por ela da Espanha, em uma gravação caseira. Apaixonei-me na hora. A partir daí passei a acompanhar sua carreira de perto, a ouvir seus discos, a assistir seus shows e ter o privilégio de sua amizade e parceria.

Sua poesia vem das entranhas, mas sem a brutalidade visceral. É uma cirurgiã plástica, embelezando as rugas e sulcos, que foram talhados na dor da natureza humana. Vanessa toca-nos pele a pele, acaricia-nos, e quando a gente menos espera, ri de si e de nós, com seu humor doce.

Sempre encontramos em suas letras interessantes achados poéticos. Ainda não recebeu o reconhecimento que merece. Ou é cegueira ou preguiça dos críticos atuais. Quanto às rádios, nem se fala. Preferem o raso. Vanessa não fica na superfície. Vai mais fundo. Ela mesma diz na faixa “Saudades do futuro”: “...Me desculpe se eu toco nesse ponto, que costuma ser frágil e dolorido, mas se você foge nunca saberemos o que teria sido...”

É uma leitora compulsiva e mergulha de cabeça nos livros que escolhe. Durante certo tempo, brindou-me com passagens de "O Segundo Sexo", da Simone de Beauvoir, empolgada que estava com a autora. Também me presenteou com dois livros de Proust, que estão na minha cabeceira aguardando um momento de maior coragem para enfrentá-los. Não por falta de seu estímulo.

Certo dia, ela chega com uma letra, pedindo para eu musicar. Quer que seja uma música pra cima. Sua poesia sempre me inspira e logo a melodia surge, como se a letra já a contivesse. A canção, inspirada no tal livro da Simone, acabou dando nome ao seu terceiro CD: “O Segundo Sexo”.

É um CD para se ouvir lendo as letras, como nos velhos tempos. Depois, é deixar rolar, o som entrar pelos ouvidos, as imagens pela retina e a luz dessa cantora pela janela, como ela diz na canção “O que for melhor”.

“O que for melhor, e tiver amor, tem que acontecer, sempre que puder”. 

E essa é a vez de Vanessa acontecer. “Fique mais um pouco, chegue bem mais perto” e se delicie. Todos os sexos.
                                              
Serviço: CD “O Segundo Sexo” - Vanessa Bumagny – Selo Fidellio


À venda virtualmente no iTunes Amazon Deezer.


https://www.youtube.com/watch?v=NrGfjepvvHw

sexta-feira, 28 de março de 2014

Aperitivo do CD "3,1415..."

Luiz Pinheiro


      imagem: reprodução










"Brejo" é a canção do meu novo CD "3,1415..." que escolhi para apresentar a vocês aqui no meu blog.

Fala de uma pessoa desiludida, mas que trata a desilusão com certo humor. Seu coração está em um frigobar, mas seu corpo está fervendo na pista. 

Embora no meio de muita gente, ainda não quer encontrar ninguém. Será?

Abrir o CD com uma música que diz "estou na pista" também é uma maneira de anunciar que estou chegando com um trabalho novo.


Se joguem, divirtam-se e comentem.


                                
                       

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

3.1415...Poema, forma e conteúdo

Luiz Pinheiro


                                               
 




            
            Se me perguntarem o que prefiro: um poema sem conteúdo, mas com forma, ou um poema com conteúdo, mas sem forma, opto pelo primeiro, visto que não considero o segundo um poema.
      
      Poema é essencialmente forma. Diz respeito ao som das palavras, sua disposição, aquilo que apenas pode ser dito da maneira como é escrito. Todo o resto são versos aleatórios ou meros pensamentos. Claro que se um poema consegue reunir bom conteúdo e boa forma, então é perfeito.

      Gosto de uma de minhas músicas, feita em parceria com a Leila Romero, chamada “Barra Macaco”. Ela é pura forma e é gostoso ouvi-la. Embora exista quem encontre algum conteúdo ali, isso é por conta da subjetividade do ouvinte. É interessante que possamos gostar de uma canção em que a letra não diga nada. Acho isso muito natural, pois, muitas pessoas que não sabem falar Inglês, adoram canções cantadas nessa língua. O que importa, no caso, é a sonoridade da melodia e da letra. Se é para abolir conteúdo, que se faça com estilo, elegantemente.

      Acho bacana temas sociais em canções, mas não gosto muito quando são contadas historinhas como se as letras fossem prosa. E quando são em forma de versos, que sejam ditos com inspiração e estrutura poética, não apenas como mensagens educativas ou políticas de estética duvidosa.

         Arte pela arte em primeiro lugar. Mesmo se num “interjogo” com temas sociais.

      Este novo CD “3,1415...” é diferente do primeiro, chamado “Decompor”, já que aborda mais temas sociais. Faz referência a tráfico, ao uso de burcas, a moradores de rua, a ambientalismo, fundamentalismo, moralismo e, lógico, amor e desamor. Mas, ao falar desses assuntos o faço com uma perspectiva muito própria, filosófica, longe dos jargões atuais, os quais abomino. Procuro uma visão que perpasse tais temas de forma “oblíqua”. Aliás, esta palavra daria um lindo nome de canção. Ou até subtítulo para o disco, pois também se refere a um termo da área da Matemática, a Geometria.

      Quando estudante, eu era muito bom em Matemática. Quem me apelidou Pi foi uma professora da área. Hoje não tenho quase nenhum interesse em Exatas. Da Matemática fui para a área de Biológicas cursar Medicina e, logo após, também cursei Psicanálise, já bem distante das duas. Atualmente, me interesso mais por Humanas, incluindo o fazer artístico.

      Sendo assim, gosto dos adjetivos usados na definição do símbolo matemático de letra grega Pi (3,1415...), porque têm relação direta com traços humanos: “inexato, aproximado, infinito, irracional, transcendente”. Ao musicar esse tema, consegui unir meus primeiros interesses de vida aos atuais. Acho esse novo disco mais autoral que os anteriores. Não que aqueles não o fossem, porém, neste trabalho, imprimo minhas digitais de modo mais nítido.

      A realização de “3,1415...” conta com a direção de Valter Gomes, que também é o meu psicanalista musical, pois consegue interpretar minhas intenções e torná-las realidades sonoras. Fazemos todos os arranjos juntos, ponderando cada nota empregada e que tipos de instrumentos iremos usar. É um processo experimental no qual harmonizamos elementos acústicos e eletrônicos de forma contemporânea.
Uma das novidades deste CD é minha voz soar mais rasgada em certas canções. A outra é Valter levar o som de sua guitarra por técnicas e caminhos inéditos. Por estas e outras, considero-me um privilegiado por contar com sua amizade e parceria. Ele é de um talento enorme e de humildade ímpar.