quarta-feira, 16 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
“Eu sempre”
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
Esta canção é uma letra da Vanessa Bumagny musicada por mim.
Acho que ela é, além da “Haja o que houver”, a faixa mais subsolo do CD “Decompor”, que sairá em breve.
Fala do desespero de alguém abandonado pelo seu amante e que, na busca incessante pelo seu amor, joga-se em encontros furtivos e casuais, fazendo coisas que não queria, e não aprova, provando “bocas que não beijaria sóbrio”. É quando o lobo uiva na lua cheia.
É um dos arranjos mais elegantes do trabalho. Tem o violão sempre luxuoso de Valter Gomes, a bateria precisa de Duda Neves, a percussão criativa de Mingo Jacob, o charme do baixo de Marcelo Karyki e o teclado sofisticado de Binho Ortega. Um timão.
O nome da música roubei de uma expressão que Eraldo S. sempre usa, exercendo seu narcisismo. Ele diz com uma tonalidade única: “você sabe que EU SEMPRE, né?”. E eu respondo: “quase sempre...”, só para não alimentar muito o seu EGO.
Viajem nela.
sexta-feira, 4 de março de 2011
"Brasa dormida"
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
“Brasa dormida” é uma canção de um jovem surfista carioca chamado Marcelo, que teve uma carreira meteórica entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, em parceria com Ney Costa. Quis que esta música estivesse presente neste CD porque a conheci numa fase muito feliz de minha vida. Nesta versão de "Brasa dormida" procurei sair do sol do arpoador para a solidão noturna da cidade grande, revelando a beleza que a melancolia pode ter.
Há uma promessa do Laerte Késsimos de um videoclipe para esta canção, com Mario Bortolotto no elenco. Estou no aguardo. Cobrem dele.
Aproveitem o espaço de comentários!
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sábado, 19 de fevereiro de 2011
“Ódio no camarim”
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
Esta é uma música minha sobre letra de Eraldo S..
A canção aborda os minutos tensos antes de qualquer artista subir ao palco. É uma história sobre como a possibilidade de estar bem pode ser minada pela inveja de pessoas que gostariam de estar na posição de protagonista. São os vodus de camarim.
Para contar essa situação, ele utiliza como pano de fundo a discussão entre duas pessoas em crise afetiva.
O interessante é que quando a canto, em show, ela é uma das preferidas das crianças. Elas adoram e ficam repetindo a frase: “saia agora do meu camarim!”. Por que será?
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
"Cinzas", uma história, uma canção
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
Não sei se foi bem assim a história, mas certa noite eu e Vanessa Bumagny conversávamos na mesa de um bar, no centro, sobre o significado das cinzas. Tempos depois, essa minha querida amiga me presenteou com um cinzeiro que terminei esquecendo em seu carro. Só fui revê-lo em meu aniversário, quando ela me presenteou com o tal objeto e um poema chamado “Cinzas”. Ao musicá-lo dei origem à nossa primeira parceria.
O violão original era de Zeca Loureiro, mas houve um problema no estúdio e o som do violão simplesmente desapareceu, virou cinzas... A solução foi Newton Carneiro regravá-lo. Estou postando para vocês mais esta canção do meu CD, que fala sobre o passar do tempo, pra onde tudo vai, onde termina.
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sábado, 29 de janeiro de 2011
"Poético/Patético"
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
"Poético-patético" é um poema meu musicado por mim e por Morena Rosa.
É um rap estilizado, a la Luiz Pinheiro.
Mais uma vez Valter Gomes acertou a mão e Luciano Nogara deu o toque final na mixagem. Já Newton Cardoso nos presenteou com um moog, detalhe que dá um charme eletrônico à canção.
Também faço uma homenagem a Walter Franco, que lá nos idos de 70 abriu minha “CABEÇA” para novas experiências musicais. Coloco, incidentalmente, um trecho de sua música "Me deixe mudo".
Apreciem sem moderação.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Quase “Araçá”
Luiz Pinheiro
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| Imagem: Divulgação |
Tive a felicidade de ter duas letras musicadas por Luiz Gayotto e gravadas no seu último disco PROPONHOMIX, o que muito me orgulha.
O disco é uma experiência radical, sem ser esnobe; experimental, sem ser monótono; inteligente, sem ser acadêmico.
A cada música o compositor nos surpreende com um clima novo. Embora sejam climas diversos, eles se constituem como parte de um todo coeso; são andamentos diferentes de uma mesma trilha, unidades multifacetadas de uma única harmonia.
A sequência das canções deixa transparecer um subtexto que valoriza ainda mais o trabalho. Tudo flui com uma naturalidade espantosa!
Hermelino Neder, ao ouvir duas faixas, achou muito interessante a junção dos gêneros canção e música instrumental em um mesmo trabalho.
O caminho que Gayotto percorre é muito diferente daquele que eu sigo no meu novo CD DECOMPOR. Se por um lado ele radicaliza na sonoridade e nos arranjos, sem se tornar hermético, eu vou ao encontro do popular: do mais digerível e fácil aos ouvidos menos sensíveis, sem deixar, acredito, de agradar aos mais apurados. Diferenças à parte, tanto o meu disco quanto o dele têm sinceridade e verdade estética.
A produção do Estevan Sinkovitz dá um toque especial ao resultado final. Já tive a oportunidade de trabalhar com ele e sei de seu talento e sensibilidade.
O CD é rico e econômico ao mesmo tempo, e talvez aí esteja sua maior riqueza. Rico justamente porque econômico e amplo porque sintético.
A voz do cantor, pequenina e imensa, suave e intensa, dança entre silêncios e sons e é mais um instrumento a colorir as canções.
Acho que Gayotto encontrou o centro, o cerne, a essência de sua criação, nesse trabalho. Sem dúvida, atingiu sua maturidade artística.
Ninguém que se interessa por música pode deixar de ouvir esse disco.
Pra mim, ele é quase um ARAÇÁ AZUL contemporâneo.
Há muito tempo não ouço algo tão novo e surpreendente.
Estou abrindo uma exceção e deixando de publicar uma canção do meu novo CD, como é de praxe, para postar duas parcerias nossas, gravadas em seu novo trabalho, chamadas “Pra quê?” e “Broto bruto”.
Espero que curtam, como eu curti.
"Pra quê?"
"Pra quê?"
"Broto bruto"
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Só os alados voam
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| Imagem: Reprodução |
Meu amigo Miro Cardoso fez um comentário sobre meu texto Iracema. Achei melhor colocá-lo como parte do meu blog. Vocês entenderão o porquê.
Miro Cardoso
Um tal Martiniano de Mecejana, vulgo José de Alencar, foi lente de Direito, deputado, ministro, jurisconsulto, jornalista, orador, dramaturgo e romancista. Embora não conste nos anais de que o cearense tivesse sido compositor, cantor e/ou instrumentista, ele era, sem dúvida, inteligente e talentoso noutras áreas.
Como escritor, deixou obras de valor literário tão reconhecidas que, desde que há vestibulares, tal autor é leitura obrigatória.
Alencar subintitulou o romance Iracema como “Lenda do Ceará”. Lembro-me da índia com “cabelos mais negros que a asa da graúna...” e do guerreiro Martim Soares que tinha “nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas.”
Tanto Alencar no século XIX como Rosa no século XX foram vanguardistas de suas épocas libertando seus romances das fronteiras entre narrativa e lirismo. Portanto, Iracema / Martim e Diadorim / Riobaldo são idílicos romanescos mesclados de muita prosa e poesia.
Viva aos Tabajaras e Jagunços!
Luiz Pinheiro, sinto que suas criações em Decantar e Decompor trocam alianças entre as várias vertentes da arte poética musical. Parabéns, amigo. Orgulho-me de você!
Obs.: Quanto maior a envergadura, mais alto será o voo!
P.S.: Nos dias de hoje, Iracema, não mais virgem, estaria oxigenada numa capa da Playboy e teria seu próprio blog: labiosdemel.blogspot.com
P.S.: Nos dias de hoje, Iracema, não mais virgem, estaria oxigenada numa capa da Playboy e teria seu próprio blog: labiosdemel.blogspot.com
E a Diadorina seria destaque na Parada Gay.
Martim e Riobaldo que se cuidem!
Martim e Riobaldo que se cuidem!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Sobre a canção “Haja o que houver”
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| Imagem: Reprodução |
Luiz Pinheiro
A primeira vez que tive contato com essa música foi através de um amigo.
Estávamos no Anhangabaú assistindo a um show do Gilberto Gil, quando sentamos na calçada para descansar e ele cantarolou essa canção para mim.
Aquele aspecto masoquista da letra me chamou a atenção e na minha cabeça ficaram duas frases martelando: "de você só quero isto, que você saiba que eu existo" e "pode me bater, me xingar, me maltratar que ainda canto parabéns". Pedi que ele cantasse mais uma vez e lhe disse: se um dia eu gravar um disco, vou incluir essa canção. Até hoje não sei porque disse isso. É um mistério.
Anos se passaram e cá estou eu gravando meu primeiro disco solo. Lembrei-me da promessa que fiz a mim mesmo e fui atrás da música.
Rodei todos os sebos de São Paulo. Inicialmente, pensei que fosse a Núbia Lafayette quem cantava. Ouvi todos os discos dela encontráveis na praça. Nada. Foi quando localizei aquele amigo que me disse que era a Lana Bittencourt a intérprete. Mais peregrinação pelos sebos. O difícil é que eu nem sabia o nome da música. Quando encontrava qualquer disco da Lana, ouvia-o do começo ao fim.
Já estava para desistir, quando um dia, andando pelo centro, um outro amigo me convidou para entrar em uma galeria porque ele queria comprar um disco raro do Biquini Cavadão.
Encontramos um sebo, bem escondido, no segundo andar. Enquanto ele procurava pelo seu CD, eu comecei a revirar os LPs. O vendedor disse que não tinha Lana, mas não é que encontrei um?
Depois de ter ouvido quase todas as músicas e já me dando por vencido, na última faixa do lado B, ouço "Bata se quer me bater, será pra mim um prazer. Era ela... e o prazer era todo meu. Entrei atrás do Biquini Cavadão e saí com Lana Bittencourt.
Mostrei para o Valter Gomes e ele fez um arranjo, no violão, para minha interpretação, mais clean e com uma leve ironia. Binho Ortega colocou o piano e Hermelino Neder deu os toques finais, deixando o piano apenas no início e no final da música (algo pouco convencional), ressaltando o meu canto.
Nos dias tão politicamente corretos de hoje, achei que gravando essa música eu poderia fazer uma provocaçãozinha...
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