sábado, 19 de fevereiro de 2011

“Ódio no camarim”

Imagem: Reprodução


Luiz Pinheiro


Esta é uma música minha sobre letra de Eraldo S..


A canção aborda os minutos tensos antes de qualquer artista subir ao palco. É uma história sobre como a possibilidade de estar bem pode ser minada pela inveja de pessoas que gostariam de estar na posição de protagonista. São os vodus de camarim.


Para contar essa situação, ele utiliza como pano de fundo a discussão entre duas pessoas em crise afetiva.


O interessante é que quando a canto, em show, ela é uma das preferidas das crianças. Elas adoram e ficam repetindo a frase: “saia agora do meu camarim!”. Por que será?





                           

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Sombra negra"



Imagem: Reprodução

  Luiz Pinheiro


     A canção “Sombra negra” é o meu hit. Sempre que a canto em shows é muito aplaudida. Não poderia faltar no meu CD.


     Atentem para a guitarra de Valter Gomes.



                       

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Cinzas", uma história, uma canção

Imagem: Reprodução

Luiz Pinheiro

     Não sei se foi bem assim a história, mas certa noite eu e Vanessa Bumagny conversávamos na mesa de um bar, no centro, sobre o significado das cinzas. Tempos depois, essa minha querida amiga me presenteou com um cinzeiro que terminei esquecendo em seu carro. Só fui revê-lo em meu aniversário, quando ela me presenteou com o tal objeto e um poema chamado “Cinzas”. Ao musicá-lo dei origem à nossa primeira parceria.

     O violão original era de Zeca Loureiro, mas houve um problema no estúdio e o som do violão simplesmente desapareceu, virou cinzas... A solução foi Newton Carneiro regravá-lo. Estou postando para vocês mais esta canção do meu CD, que fala sobre o passar do tempo, pra onde tudo vai, onde termina.


                       

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Poético/Patético"



Imagem: Reprodução

Luiz Pinheiro

     "Poético-patético" é um poema meu musicado por mim e por Morena Rosa.

     É um rap estilizado, a la Luiz Pinheiro.

     Mais uma vez Valter Gomes acertou a mão e Luciano Nogara deu o toque final na mixagem. Já Newton Cardoso nos presenteou com um moog, detalhe que dá um charme eletrônico à canção.

     Também faço uma homenagem a Walter Franco, que lá nos idos de 70 abriu minha “CABEÇA” para novas experiências musicais. Coloco, incidentalmente, um trecho de sua música "Me deixe mudo".

     Apreciem sem moderação.


                        


                        

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quase “Araçá”


Imagem: Divulgação


 Luiz Pinheiro

 
     Tive a felicidade de ter duas letras musicadas por Luiz Gayotto e gravadas no seu último disco PROPONHOMIX, o que muito me orgulha.
     O disco é uma experiência radical, sem ser esnobe; experimental, sem ser monótono; inteligente, sem ser acadêmico.
     A cada música o compositor nos surpreende com um clima novo. Embora sejam climas diversos, eles se constituem como parte de um todo coeso; são andamentos diferentes de uma mesma trilha, unidades multifacetadas de uma única harmonia.
     A sequência das canções deixa transparecer um subtexto que valoriza ainda mais o trabalho. Tudo flui com uma naturalidade espantosa!
     Hermelino Neder, ao ouvir duas faixas, achou muito interessante a junção dos gêneros canção e música instrumental em um mesmo trabalho.
     O caminho que Gayotto percorre é muito diferente daquele que eu sigo no meu novo CD DECOMPOR. Se por um lado ele radicaliza na sonoridade e nos arranjos, sem se tornar hermético, eu vou ao encontro do popular: do mais digerível e fácil aos ouvidos menos sensíveis, sem deixar, acredito, de agradar aos mais apurados. Diferenças à parte, tanto o meu disco quanto o dele têm sinceridade e verdade estética.
     A produção do Estevan Sinkovitz dá um toque especial ao resultado final. Já tive a oportunidade de trabalhar com ele e sei de seu talento e sensibilidade.
     O CD é rico e econômico ao mesmo tempo, e talvez aí esteja sua maior riqueza.  Rico justamente porque econômico e amplo porque sintético.
     A voz do cantor, pequenina e imensa, suave e intensa, dança entre silêncios e sons e é mais um instrumento a colorir as canções.
    Acho que Gayotto encontrou o centro, o cerne, a essência de sua criação, nesse trabalho. Sem dúvida, atingiu sua maturidade artística.
     Ninguém que se interessa por música pode deixar de ouvir esse disco.
     Pra mim, ele é quase um ARAÇÁ AZUL contemporâneo.
     Há muito tempo não ouço algo tão novo e surpreendente.
     Estou abrindo uma exceção e deixando de publicar uma canção do meu novo CD, como é de praxe, para postar duas parcerias nossas, gravadas em seu novo trabalho, chamadas “Pra quê?” e “Broto bruto”.
     Espero que curtam, como eu curti.

                     "Pra quê?"
   
                     
 
 
                     "Broto bruto"
 
                     
 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Só os alados voam



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Meu amigo Miro Cardoso fez um comentário sobre meu texto Iracema. Achei melhor colocá-lo como parte do meu blog. Vocês entenderão o porquê.


Miro Cardoso


     Um tal Martiniano de Mecejana, vulgo José de Alencar, foi lente de Direito, deputado, ministro, jurisconsulto, jornalista, orador, dramaturgo e romancista. Embora não conste nos anais de que o cearense tivesse sido compositor, cantor e/ou instrumentista, ele era, sem dúvida, inteligente e talentoso noutras áreas.
     Como escritor, deixou obras de valor literário tão reconhecidas que, desde que há vestibulares, tal autor é leitura obrigatória.
      Alencar subintitulou o romance Iracema como “Lenda do Ceará”.  Lembro-me da índia com “cabelos mais negros que a asa da graúna...” e do guerreiro Martim Soares que tinha “nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas.”
      Tanto Alencar no século XIX como Rosa no século XX foram vanguardistas de suas épocas libertando seus romances das fronteiras entre narrativa e lirismo. Portanto, Iracema / Martim e Diadorim / Riobaldo são idílicos romanescos mesclados de muita prosa e poesia.
      Viva aos Tabajaras e Jagunços!
      Luiz Pinheiro, sinto que suas criações em Decantar e Decompor trocam alianças entre as várias vertentes da arte poética musical. Parabéns, amigo. Orgulho-me de você!


     Obs.: Quanto maior a envergadura, mais alto será o voo!


     P.S.: Nos dias de hoje, Iracema, não mais virgem, estaria oxigenada numa capa da Playboy e teria seu próprio blog: labiosdemel.blogspot.com
    
     E a Diadorina seria destaque na Parada Gay.
     Martim e Riobaldo que se cuidem!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sobre a canção “Haja o que houver”



Imagem: Reprodução


Luiz Pinheiro


A primeira vez que tive contato com essa música foi através de um amigo.

Estávamos no Anhangabaú assistindo a um show do Gilberto Gil, quando sentamos na calçada para descansar e ele cantarolou essa canção para mim.

Aquele aspecto masoquista da letra me chamou a atenção e na minha cabeça ficaram duas frases martelando: "de você só quero isto, que você saiba que eu existo" e "pode me bater, me xingar, me maltratar que ainda canto parabéns". Pedi que ele cantasse mais uma vez e lhe disse: se um dia eu gravar um disco, vou incluir essa canção. Até hoje não sei porque disse isso. É um mistério.

Anos se passaram e cá estou eu gravando meu primeiro disco solo. Lembrei-me da promessa que fiz a mim mesmo e fui atrás da música.

Rodei todos os sebos de São Paulo. Inicialmente, pensei que fosse a Núbia Lafayette quem cantava. Ouvi todos os discos dela encontráveis na praça. Nada. Foi quando localizei aquele amigo que me disse que era a Lana Bittencourt a intérprete. Mais peregrinação pelos sebos. O difícil é que eu nem sabia o nome da música. Quando encontrava qualquer disco da Lana, ouvia-o do começo ao fim.

Já estava para desistir, quando um dia, andando pelo centro, um outro amigo me convidou para entrar em uma galeria porque ele queria comprar um disco raro do Biquini Cavadão.

Encontramos um sebo, bem escondido, no segundo andar. Enquanto ele procurava pelo seu CD, eu comecei a revirar os LPs. O vendedor disse que não tinha Lana, mas não é que encontrei um?

Depois de ter ouvido quase todas as músicas e já me dando por vencido, na última faixa do lado B, ouço "Bata se quer me bater, será pra mim um prazer. Era ela... e o prazer era todo meu. Entrei atrás do Biquini Cavadão e saí com Lana Bittencourt.

Mostrei para o Valter Gomes e ele fez um arranjo, no violão, para minha interpretação, mais clean e com uma leve ironia. Binho Ortega colocou o piano e Hermelino Neder deu os toques finais, deixando o piano apenas no início e no final da música (algo pouco convencional), ressaltando o meu canto.

Nos dias tão politicamente corretos de hoje, achei que gravando essa música eu poderia fazer uma provocaçãozinha...




                        


Sobre Cegonha, Iracema e Hermelino





Imagem: Reprodução

Luiz Pinheiro



“O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar”. (Lupicínio Rodrigues)



     Hermelino Neder me aconselhou a não postar no blog o trecho do meu texto “Cegonha” quando digo: sua linda cachorra de “pelos mais negros que as asas da graúna", referindo-me à Duquesa, adorável cachorra do Newton Carneiro. Achou que era over, além de parecer “frescura”.

     É que ele não se deu conta de que se tratava de uma citação do romance de José de Alencar “Iracema”, primeiro livro que li no ginásio e do qual decorei o primeiro capítulo inteiro.

     Achava que todos que leram “Iracema” iriam se lembrar dessa expressão. É como citar “olhos de Capitu”, que naturalmente nos remete à obra de Machado de Assis. Mas, como meu amigo não a tinha na memória, fiquei em dúvida se seria tão óbvio assim.

     E como ele estranhasse que eu soubesse de cor o texto, comecei a recitar todo o primeiro capítulo do livro, ao telefone. Digo recitar porque é uma prosa poética, romântica, tipo:

“Verdes mares bravios de minha terra natal onde canta a jandaia nas frontes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros”. E por aí vai.

     Também sei, até hoje, como termina o romance:

     “Tudo passa sobre a terra”.

     Se me pedissem para contar a história, não saberia. Lembro da paixão de um guerreiro europeu por uma índia. Nada mais.

     “Iracema”, entretanto, ficou reverberando na minha cabeça e o comentário do Hermelino me provocando um certo incômodo.

     Liguei para minha amiga Sandra Alves que me disse, brincando, que o Hermelino deve ter faltado a essa aula. Ela se lembra perfeitamente da época em que lemos esse livro (estudávamos todos juntos). Acrescentou que o texto fala sobre ousadia, liberdade, contravenção, conflitos, submissão, amor impossível e dor de amor, além da preocupação do autor com a forma da linguagem.

     Achei que tinha tudo a ver eu ter citado essa obra, inconscientemente, no primeiro texto sobre meu CD. Os mesmos temas se encontram nele.

     Até aí, são temas universais, mas talvez a forma como são expostos em “Iracema”, tenha me interessado de modo particular, a ponto de decorar um trecho.

     Ou será que era lição de casa? Poderia ser simplesmente vaidade juvenil. E por que não uma precoce prevenção contra o Alzheimer?

     De qualquer modo, tenho um certo orgulho por lembrar o tal primeiro capítulo inteiro sobre Iracema, “a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira”. Não é bacana?

     A essa altura, talvez os leitores se perguntem para que serve tudo isso. Talvez só sirva para animar festinhas ou fazer “gênero” em saraus. Nem isso! Deve ficar esquisito e meio ridículo recitar o primeiro capítulo inteiro de “Iracema” no meio de uma festa ou evento. Acho que não pegaria bem.

     Será que, assim como Lobão, Hermê tem razão?

     Talvez tenha, mas em outro aspecto: disse-me que provavelmente eu traga esse romance tão “fresco” em minha memória - e ele não - devido ao fato de ser quase um poema.

     E eu sou mais poema. Ele, prosa.

     Mas será que ser afeito a poemas seria “frescura”? Ou estaria ele se referindo à tinta romântica que se derrama sobre o fraseado da obra de Alencar? Pelo que conheço do meu amigo, achei mais provável a segunda hipótese.

     Posteriormente, disse-me que o que achou over foi eu usar aquela frase rebuscada na simplicidade do texto “Cegonha” que, justamente, ele estava apreciando.

     O texto do Hermelino é mais seco e o meu mais úmido. Mas não é propriedade do poema ser úmido e nem da prosa ser seca, pois João Cabral é seco e é poema e a prosa romântica tende a ser úmida. Umidades e securas e “frescuras” à parte, texto ou poema, o importante é ser arte.

     Minha amiga Sandra, como sempre, esclareceu e enriqueceu-me com algumas informações que, gentilmente, foi garimpar. Disse-me que um crítico sisudo do século XIX, José Veríssimo, afirmou:

     “Foi José de Alencar o primeiro dos nossos romancistas a mostrar real talento literário e a escrever com elegância. Ele é cronologicamente o primeiro que, por virtudes de ideação e dons de expressão, mereça plenamente o nome de escritor”.

     Guilherme de Almeida, em um texto sobre esse romance, conta que “Iracema” era para ser escrito em versos e que, na própria prosa, podemos encontrá-los metrificados em redondilhas maiores, decassílabos e alexandrinos. Comparando a poesia de Gonçalves Dias com a prosa de Alencar, ainda diz: “Não teria sido Alencar também um poeta indianista e feito também poesia?”

     E conclui: “Todo pensamento comovido e trabalhado tende, naturalmente, a tornar-se verso”.

     O que mais me surpreendeu foi Almeida dizer que o texto de “Iracema” é uma prosa mais elevada. Seria, então, a poesia mais elevada que a prosa? Temos aí uma questão que daria uma ótima polêmica. Mas isso vai ficar para um outro momento.

     Eu e Hermelino temos uma amizade de muitos anos, extremamente produtiva pessoal e artisticamente. Ele é o principal responsável por meu exercício de cancionista. Sempre faz comentários muito esclarecedores e estimulantes sobre o que crio. Às vezes, carinhosamente provocativos.

     Bastou uma observação dele para eu resgatar José de Alencar e ficar sabendo de coisas que eu nem imaginava. É bom ter amigos inteligentes e sinceros.

     Uma última pergunta: se “Iracema” é o livro de um precursor e um marco na história do romance brasileiro, estaria minha citação, no texto de nascimento do meu CD, denunciando um desejo inconfessável de atingir tão alto posto, com seu simples lançamento?

     Seria muita onipotência, ingenuidade e... narcisismo! Talvez, forçando um pouco mais a barra, aí, sim, caberia a tal da “frescura”. Mas assim já é demais! Fui over.

Que viagem!

Como é duro ser psicanalista!