quinta-feira, 23 de junho de 2011

Eu na revista Brasileiros de Junho


Divas e divãs


Psicanalista, cantor e compositor garimpado por Cássia Eller, Luiz Pinheiro lança o CD Decompor


MÚSICA
Por Luiz Chagas


                                          
O olhar desconfiado trai a ascendência mineira. O jeito calmo e pausado de quem ouve mais do que fala demonstra a profissão. A voz educada... Bem, foi educada de fato. Psiquiatra de formação e psicanalista por opção, Luiz Pinheiro, o Pi, sempre compôs e, para cantar melhor suas músicas, estudou canto. O resultado foi Decantar, espetáculo de 2005 em que atuou mais como intérprete, repetido inúmeras vezes em diversos palcos e registrado em vídeo. Agora, Luiz Pinheiro lança o CD Decompor - Canções de Subsolo, que inclui composições suas de várias épocas. Nascido em Juiz de Fora, filho de mãe esteticista e de um chofer de táxi criptocomunista, que batizou o filho Luiz Carlos em homenagem a Prestes, Pi mudou-se com a família para Ourinhos, no interior paulista, onde o futuro de Luiz Pinheiro se desenhou.



Lá, Pi conheceu Hermelino Neder, Vânia Bastos e Gil Jardim, mais tarde integrantes destacados da chamada Vanguarda Paulista. Hermelino, com o Santos Football Music. Vânia, com a banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, e considerada "A" intérprete de Arrigo Barnabé. E Gil como flautista do Grupo Papavento, frequentador do Teatro Lira Paulistana e hoje diretor artístico e regente titular da Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo (OCAM). Pi e Hermelino formaram uma parceria ainda em pé. A primeira composição gravada da dupla foi Kitsch, do primeiro disco solo de Vânia. Pi foi vocalista nos primeiros shows do Santos FM, uma composição sua, Façanhas, deu título ao disco de 1992 de Arrigo e, ao lado de Hermê, foi garimpado por Cássia Eller, recém-chegada de Brasília, de passagem por São Paulo e a caminho do sucesso no Rio - o disco Cássia Secreta (2007) traz as músicas da dupla que a cantora gravou e que costumava cantar em seus shows. Decompor tem como subtítulo Canções de Subsolo, uma referência ao livro Notas do Subterrâneo, de Dostoiévski, que para Pi traz "uma prefiguração das ideias de Freud". No disco, encontramos ecos de Lupicínio Rodrigues, Adelino Moreira, Jards Macalé, Walter Franco e Vicente Celestino. Não é à toa que Pi incluiu no CD, a música Haja o que Houver, de Fernando César e Nazareno de Brito, gravada pela dramática Lana Bittencourt nos anos 1950 - além de Brasa Dormida, do carioca Marcelo, dos anos 1980.



As outras 13 canções do disco têm sua assinatura com vários parceiros. O som surgiu do feliz encontro entre Pi e o guitarrista Valter Gomes, responsável pela sonoridade pé no chão que o trabalho sugere. O cardápio é variado. Há desde Dor, composta ainda nos tempos da faculdade de Medicina, à recente Do Seu Lado; a amiga Vanessa Bumagny canta e é parceira no disco, Hermelino limitou-se a tocar violão e a Praça Roosevelt, cenário das Satyricas Musicais criadas por Pi entre outros, aparece duas vezes, em Phedra de Córdoba (nome de uma atriz transexual cubana idolatrada na praça) e no iê-iê-iê As Impurezas da Rua sem Véu (Praça Roosevelt), uma espécie de bônus track. E pode-se dizer que, como psicanalista e compositor, Pi vale por mais de dois. Digamos que por volta de 3,1415926...





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um poema

                                             imagem: reprodução

Brio
Luiz Pinheiro


Não quero mais
o ócio dos ópios
nem a alegria fácil
dos cios.

Não quero calor
que me traga frio
nem beleza
que só dê arrepio.

Quero o silêncio
do vazio e a voz
do homem incompleto,
com brio.

Dos ímpios,
nem um pio.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Debaixo d'água

Estou postando a música de duas compositoras que não abrem mão da sinceridade de sua arte.
Não se vendem, botam pra quebrar, sem concessões, e esbanjam sensualidade.

Estou maravilhado com essa música de minhas amigas Adriana e Letícia.
Etérea, minimalista, poética, essencial.

“Eu não sei dançar, tão devagar”, para acompanhá-las, mas quero que com elas seja minha próxima dança.

Viajem.

                                                    

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cássia Eller no programa "Aconteceu" da rede TV- parte 4

                                                         

Cássia Eller no programa "Aconteceu" da rede TV . Parte 3

Cássia Eller no programa "Aconteceu" da rede TV

Amigos, estou postando episódios do programa Aconteceu, da rede TV, onde dou depoimentos sobre a cantora Cássia Eller.

                                                                                           

domingo, 15 de maio de 2011

Brasa dormida

Estou postando um vídeo do meu show "DECANTAR", com a música "Brasa dormida" (Marcelo/Ney Costa).


Gravei essa música no meu novo CD "DECOMPOR", com outro arranjo, conforme já postado neste blog.


                                               



domingo, 8 de maio de 2011

Triz

              Amigos, estou postando, hoje, o vídeo de uma amiga que admiro muito, como cantora e compositora.
Vanessa Bumagny está no seu segundo CD: "Pétala por pétala".

      O disco foi produzido por Zeca Baleiro e tem preciosidades. Já tenho algumas parcerias com ela das quais muito me orgulho.

       No meio de tantas cantoras novas, Vanessa se destaca por seu jeito muito próprio de cantar e por suas letras, que são pura poesia.  Vale a pena ouví-la. .

      Ouçam e constatem.
      Um abraço,
      Luiz

                                                             

domingo, 1 de maio de 2011

Capa do cd








Para aqueles que estão curiosos apresento em primeira mão a capa do meu CD que já está no forno e sairá no final de Maio, começo de Junho.
Não vejo a hora.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Caros, conforme prometi, estou postando, hoje, o texto de um amigo.

Miro Cardoso é poeta, quadrinista e cronista. Escreve para O' AVESSO, jornal publicado mensalmente em Ourinhos.

Além de talentoso é o amigo com quem discuto todo o meu trabalho artístico. Foi meu professor de Inglês no ginásio e é um dos poucos que ainda escrevem cartas, somente pelo prazer de passar a língua no selo, como ele mesmo diz.

Acho este texto primoroso.

Encantem-se.

                                                                 
                                                   As duas Marias


                                                      imagem: reprodução

Miro Cardoso

            Na puberdade, conheci duas Marias: Quitéria e Natalina. Ambas, concorrentes profissionais, desfilavam em calçadas opostas de uma mesma avenida. Enquanto uma subia, a outra descia perfumando as várias esquinas.
      Nunca se soube de qualquer documento que revelasse a origem ou a idade das duas beldades. Não tinham sobrenomes, só alcunhas: “Carro Alegórico” e “Árvore de Natal”.
      Solteironas por convicção, vaidosas e com semelhantes objetivos viviam de bicos, brindes, doações e presentes.
      Nas proximidades da passarela que pleiteavam dias, noites e madrugadas, de um lado morava Quitéria e do outro Natalina. O lar de cada uma delas resumia-se num quarto e banheiro. A sala era a cidade; a cozinha uma cantina; a copa um botequim; o corredor uma rua; o quintal uma praça; a garagem um meio-fio e na área-de-serviço... só prazer.
      A vida cobrava-lhes simpatias e sorrisos constantes. Nunca podiam estar tristes, por isso cantarolavam Dalva e Lana para confortar os males.
      Sem computadores, elas passavam horas e horas diante dos espelhos orlados de fotos e bilhetes – os facebooks e e-mails da época. E os seus celulares? Eram as escovas de cabelo.
      As felizes eram livres, pois não dependiam de planejamentos, pontos, conselhos, diários e justificativas de suas ausências ou das reprovações de seus clientes.
      As duas Marias sempre protegidas por bons cremes, ousadas tinturas, transparentes tecidos, balangandãs e saltos-altos tiveram vida longa. Sobreviveram mesmo sob soslaios olhares das fêmeas e cobiçados cortejos dos machos.
      Embora imortais, a primeira Maria morreu em pleno Carnaval e foi enterrada na Quarta-feira de Cinzas. A seu pedido, no velório não havia flores ou coroas. Aliás, ela odiava coroas.
      Cobriam a maquiadíssima defunta: cravejados óculos gatinho, berloques, brincos, bijuterias, bolsas, cintos, lenços e tiaras. Nos ombros as alças finas do vestido amarelo-ouro, nos braços braceletes, nos pulsos relógios com a hora marcada, nos dedos toda sorte de anéis e unhas de causar inveja. Nos pés as tiras douradas das sandálias.
      Purpurinas, confetes e serpentinas salpicavam o ambiente do teto ao chão. E assim, Quitéria, ao som de marchinhas seguiu pro céu cheirando a lança-perfume.
      Dez meses depois, durante a Missa do Galo, digo, da Galinha, morreu Maria Natalina. Nada de flores ou velas. Só fitas, bolas, laços, guirlandas e pisca-piscas decoravam o caixão verde-pinhal.
      A falecida harmonizava-se nos tons rubros e neves do casquete, véu, bustiê, mini-saia, meias arrastão, sombrinha e sapatilhas. Entre as mãos, a boceta de rapé e o porta-jóias de cristal. Tudo subiu aos céus ao som de Jingle Bells e cheirando a leitoa assada.
      Quando dizem que não se leva nada dessa vida... Discordo! Maria Quitéria e Maria Natalina levaram tudo que amaram, inclusive meu coração.